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Personagens Históricas

MIGUEL LEITÃO DE ANDRADA

     A 28 de Setembro de 1553 nasce na vila de Pedrógão Grande, Miguel Leitão de Andrada, no seio de uma família abastada e de boa reputação. Foram seus pais Belchior d' Andrada (filho de Pedro d' Andrada e de Catharina de Andrada Coelho) e de Catharina Leitão (filha de João  Madeira-alcaide-mor em Penamacor e de Violante Leitão), deste casal houve dez filhos, sendo Miguel o nono, o seu pai - Belchior de Andrada - era proprietário em Pedrógão Grande e por carta de 12 de Outubro de 1537 é nomeado Juiz dos Órfãos, desta vila.

Miguel Leitão de Andrada aprendeu os primeiros rudimentos de Gramática no Convento de Nossa Senhora da Luz de Pedrógão Grande, e logo que acaba as primeiras letras vai para Coimbra estudar, para seguir o curso universitário. Aos quinze anos perde o pai e sua educação passa a ser dirigida pelo seu irmão Fr. João de Andrada, da ordem de S. Bernardo. È com este irmão que parte para Salamanca, onde vai cursar jurisprudência. Regressa a Coimbra para Estudar Direito Canónica na Universidade, curso que não completa, pois decide acompanhar D. Sebastião na sua jornada ao Norte de África, era um homem dotado de força física e de  patriotismo, e por isso logo que soou a nova da jornada de África, removida por D. Sebastião, abandonou os estudos para partir com o jovem monarca.

    

     No dia 4 de Agosto de 1578 participa na batalha de Alcácer Quibir, a mais desastrosa que sofreram os portugueses, que teve como consequência fatal a perda, em dois anos, da independência nacional. Nos campos de Alcácer Quibir "onde sucumbiu a flor da juventude portuguesa", Miguel Leitão de Andrada, bastante ferido, é feito prisioneiro dos mouros.

No cativeiro escreve ao seu irmão Fr. João da Andrada, relatando a batalha e participando o desaparecimento do Rei (para alguns historiadores esta é a primeira notícia que chega ao reino).

    

     Consegue-se evadir da prisão, chegando ao reino em Janeiro de 1580. Em Portugal adere á causa de D. António Prior do Crato, conta a Filipe II de Espanha, participando na Batalha de Alcântara e na guarnição de Julião da Barra. Com a derrota das tropas portugueses apresenta-se o Filipe II, deixando a causa nacional.

Casa com a D. Inez de Atouguia, cuja morte prematura e repentina levantou suspeitas, que recaíram sobre o marido. Miguel Leitão de Andrada é preso, de nada lhe servindo as influências que disponha nas cortes de Lisboa e de Madrid, só conseguiu alcançar fiança, continuando preso. Mais tarde apela para a "Mesa da consequência" a que ele pertencia como cavaleiro de Cristo, sendo posto em Liberdade.

    

     Leitão de Andrada casa, em segundas núpcias, com a sua prima Beatriz de Andrada, filha de Nicolau Altero de Andrada. Como este casamento fica na posse de algumas das melhores propriedades do Bairro Alto, conhecido, por vila Nova de Andrada.

Volta a casar, uma terceira vez, com D. Francisca de Sousa, vivendo aos últimos anos da sua vida na calçada de Sant' Ana. Morre a 27 de Setembro de 1630, sendo sepultado na casa do Capítulo do Convento de S. Domingos.

    

     Este Pedroguense, historiógrafo, escreveu, um dos mais curiosos livros de Língua Portuguesa: Miscelânea do Sítio de Nossa Senhora da Luz em Pedrógão Grande. Aparecimento da sua imagem. Fundação do seu Convento e da Sé de Lisboa. Expugnação dela. Pedra Del - Rei D. Sebastião. E que seja Nobreza, Senhor, Senhoria Vassalo d'el rei, Roco-homem, Infanção, Côrte, Cortesia, Mesura, Reverência e tirar o chapéu e prodígios. Com muitas curiosidades e prodígios diversos. Esta obra é editada pela primeira vez em 1629, pelo livreiro Matheus Pinheiro.

    

     Nesta obra, um dos livros mais raros e curiosos que possuímos, existe um retrato do autor e das duas estampas descritivas da batalha da Alcácer Quibir. Escrita em forma de diálogo - ao todo vinte diálogos - inclui peças em verso, algumas atribuídas a outros autores, como Camões (no caso do poema "Oh pomar ventoso"). Na descrição da batalha de Alcácer Quibir o autor é tido como um historiador fidedigno.

   

  

JOSÉ JACINTO NUNES

   

     Grande paladino da democracia, nasceu em Pedrógão Grande no dia 25 de Outubro do ano de 1839.

     Destinado á carreira eclesiástica, frequentou o Seminário de Coimbra, que abandonou para se matricular no Curso de Direito na Universidade da cidade de Coimbra, concluindo a formatura no ano de 1895. Enquanto académico, foi um dos mais entusiastas pelos princípios ideológicos de Revolução Francesa.

     Dedicou-se á advocacia na sua terra natal, de onde partiu para Lisboa, para exercer o cargo de Subdelegado do Procurador Régio. No ano de 1866, foi nomeado Administrador do Concelho de Grândola. No ano seguinte exerce igual cargo no de Torres Vedras, tendo posteriormente regressado a Grândola.

   

   

PADRE GABRIEL DE MAGALHÃES

     Jesuíta missionário, da família do glorioso navegador Fernão de Magalhães, nascido em Pedrógão Grande no ano de 1609, filho de Manuel Calvo de Magalhães e de Maria de Andrade. Fez os estudos de <<Humanidades>> num colégio de jesuítas para onde entrara muito novo. Concluídos estes, e ardendo de zelo apostólico, partiu para a china, permanecendo neste país até á morte.

     Em Macau dedicou-se ao ensino de Filosofia, tendo nesta actividade afirmado a sua competência e a sua extraordinária cultura. Já na China dirigiu-se em primeiro lugar para a província de Chguiam e mais tarde para a de Suchuem. Dominava esta região um povo denominado <<Bonzos>>, os quais por malvadez assanharam as iras populares contra o jesuíta pedroguense, que ali veio a padecer os mais cruéis martírios, que apenas a sua resignação cristã lhe permitiu vencer.

     Longos meses permaneceu no cativeiro, encarcerado numa masmorra, com os pés e mãos algemadas, com três cadeias ao pescoço e se tanto não bastasse, era constantemente açoitado e espancado por verdugos incumbidos da realização desta tarefa. Libertado deste horrível presídio, veio a encontrar carinho e agasalho na Corte dos Imperadores Xum-chi e Kam-hi, onde passou os últimos dias da sua vida. Faleceu sob os efeitos das mortificações sofridas na cadeia.

     Pomposo funeral lhe foi preparado, já que as suas extraordinárias virtudes o haviam de tal maneira imposto na Corte, que foi julgado digno dos mais significativos testemunhos de estima e consideração, particularmente pelo Imperador.

  

 

D. MANUEL AGOSTINHO BARRETO

     Nasceu em Pedrógão Grande no dia  7 de Dezembro do ano de 1835, tendo falecido na cidade do Funchal a 25 de Junho de 1911.

     Terminados os seus estudos preparatórios, matriculou-se na Universidade Coimbra, onde concluiu o Curso na Faculdade de Teologia no ano de 1858. Foi professor de Ciências Escolásticas no Seminário de Lamego, Cónego da Sé da mesma cidade, Vigário Geral do Bispado e Prelado doméstico de S. Santidade.

     Foi sagrado Bispo do Funchal, tendo entrado na sua diocese no dia 25 de Fevereiro do ano de 1877. Foi um extraordinário orador e um escritor de mérito.

   

JOSÉ JOAQUIM DA SILVA GRAÇA

     Jornalista nascido no dia 25 de Abril do ano de 1858, na freguesia da Graça, deste concelho.

     Ainda de tenra idade partiu para Lisboa, onde iniciou a sua vida como marçano, chegando mais tarde a um lugar de destaque na actividade jornalística. Trabalhou cerca de vinte anos no Jornal <<O Século>>, do qual veio a ser director e proprietário.

     A ele se devem a criação do <<Suplemento Humorístico>> daquele jornal e a fundação da <<Ilustração Portuguesa>>, revista que se publicou durante largos anos. Consta que havia legado à Câmara Municipal de Hyères o manuscrito de uma obra de carácter filosófico, de sua autoria, formada por vários volumes.

     Faleceu este ilustre pedroguense na cidade francesa acima mencionada, no dia 5 de Maio de 1931.

Fonte: Monografia de Pedrógão Grande